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Resenha do Livro: Se os gatos desaparecessem do mundo

Foto do escritor: Natasha LorensenNatasha Lorensen

KAWAMURA, Genki. Se os gatos desaparecessem do mundo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2024. 176 p.


 

Por que acreditamos que é mais fácil refletir profundamente a respeito de nossas vidas, quando estamos muito mais perto da morte? Para mim, esse é o enredo central do romance de fantasia Se os gatos desaparecessem do mundo, do escritor japonês Genki Kawamura.

Nosso personagem sem nome, um homem comum, carteiro com 30 anos de idade, descobre que está com câncer em estágio terminal, um tumor cerebral estágio 4, restando a ele poucos dias de vida.

Ao retornar para seu apartamento, após a descoberta da doença e da proximidade da morte, adormece, desmaiando, ao chão. Quando acorda, um estranho está em sua casa. Em um primeiro momento, ele pensar está alucinando. Em seguida, o estranho se apresenta como sendo o Diabo, e pergunta o que ele fará diante do fato de estar morrendo. Nosso personagem responde “vou pensar em dez coisas para fazer antes de morrer”; ao que Diabo conclui, “então vai fazer que nem naquele filme”.

Nosso personagem decide chamar o Diabo de Aloha, pois este se apresenta sempre vestido com roupas com motivos havaianos.

Por fim, Aloha revela porque apareceu para nosso personagem sem nome: foi avisá-lo que ele morreria no dia seguinte, mas... (sempre tem um mas), teria uma proposta para ele. Para cada coisa que ele fizesse sumir da Terra, ele ganharia mais um dia de vida. Parece fácil, porém, é Aloha quem escolhe o que deseja fazer sumir da Terra, dando apenas ao nosso amigo a escolha entre aquilo desaparecer ou não, em caso negativo, ele morrerá.

A partir de então a narrativa ganha os contornos de uma reflexão profunda sobre a própria existência do personagem que, ao não ter nome, pode representar qualquer um de nós. Presos em nossas vidas de trabalho, distante dos sonhos que não foram realizados, de amores desfeitos, de conversas nunca realizadas, coisas que jamais foram ditas, entaladas no fundo da garganta.

Conforme cada coisa some da Terra, nosso amigo reflete sobre como a usou, sobre como a humanidade a utilizou até então. Como poderia ter feito diferente. O que foi bom, as coisas que poderia ter feito melhor.

Suas lembranças com a mãe, que falecera anos antes e a distância do pai, com que não falava desde o falecimento da figura materna, vão ficando mais nítidas e começam a não ter tanta importância.

Até que Aloha decide que os gatos deveriam desaparecer da Terra. E nosso amigo, tem como única companhia, seu gato, Repolho. Prolongar apenas mais um dia de vida e deixar de ter ao seu lado, para sempre, seu gato que o acompanhou em tantos momentos? Seria possível?

Gostei da leitura de Se os gatos desaparecessem do mundo. Embora seja sobre um tema difícil, estar próximo da morte e possuir uma doença terminal, o escritor tratou com leveza, e o personagem Aloha deixou tudo um pouco mais divertido.

É um livro fácil e gostoso de ler. Bom para se distrair.
 
 
 

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© 2021 por Natasha Lorensen. Criado com Wix.com

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